18-04-783
A manhã está bem quieta enquanto a caravana prossegue. E como não há nada por fazer eu, vou escrevendo os fatos que me trouxeram até aqui.
É engraçado, como parece que minha vida é, como eu posso dizer… Turbulenta. Acho que tem haver com a profecia, é provável que um dia ela se concretize, mas eu lutarei com todas as minhas forças, sempre contra o mal, o que há no mundo e o que há dentro de mim, para que ela não se concretize. Bom voltando aos acontecimentos.
Quando, nós partimos de Kênovale, há Achawood, o sol estava próximo do pico. Chegamos ao destino, não muito tarde como da ultima vez, acredito que a viagem deve ter durado umas cinco horas, enfim. Chegando a cidade, o Capitão Charles fez uma carta para nós levarmos a Cidade de Porto Real, pois ali não haveria recursos suficientes para nos pagarem.
-Vocês devem entregar este envelope, para a Guarda Real de lá, que eles saberão o que fazer, - Nos explicou - Roud, Levem-los a Caravana que está perto do lago, e entregue este bilhete para o senhor Matias Blackstrand - Virou-se novamente para nós e disse - É melhor vocês partirem logo, pois a Caravana irá partir ao anoitecer. Agradeço imensamente a ajuda de vocês. Estão dispensados.
Acredito ter escutado alguns resmungos de Keyleth, não sei o porque, mas acredito que ela tem problemas com autoridades. Ainda bem que ela não internalizou isso. (Risos)
No caminho até a caravana, só pude pensar em duas coisas, em encontrar o irmão de Aruj, e na Espada de Tirius, quem poderia ser esse tal de Tirius e que segredos está espada guarda? Mas meus devaneios foram interrompidos pelo Oficial Roud, que me perguntou se nós tínhamos encontrado os restos de Tirius.
-Muito provavelmente era ele, sim- Tentei explicar - Ele deve ter se sacrificado para aprisionar o Urso Maldito na caverna.
-É ele foi um Herói. Posso segurar a espada que um dia foi de meu avô?
Eu não poderia recusar um pedido tão singelo e por tanto eu entreguei a espada para ele.Tudo aconteceu muito rápido. Assim que ele tocou a espada aconteceu três coisas ao mesmo tempo, um forte trovão, um clarão extremamente forte e uma rajada de vento tão maciça que jogou todos os outros para longe e me arrastou por uns seis metros.
Foi difícil segurar o escudo a minha frente com todo este vento, mas eu consegui. Conforme a minha visão foi tomando focando, eu pude ver o Oficial Roud caído a alguns metros de um homem, forte, muito alto e totalmente equipado com uma armadura muito bonita e ornamentada. Roud aparentava estar tão perplexo quanto todos os outros. Foi aí que a batalha começou, o Homem de armadura e altura anormal, avançou na direção de Roud, mas ele era tão rápido que não dava para vê-lo na trajetória, eu via apenas rastros de energia, como se ele mesmo fosse apenas isso.
O rastro de energia se materializou-se novamente no Homem de antes, que logo deu um chute em Roud, e este voo novamente uns três metros, neste momento eu comecei a avançar, mas o Homem estendeu a mão em minha direção e dela veio um jato maciço de vento. Eu não consegui fazer como antes e fui jogado para uns 20 metros, assim como os outros que aparentemente também estavam avançando.
Logo após nos lançar, o Homem fez um formato de círculo no ar com suas mãos, terminando com os braços cruzados, de forma que cada mão ficou no lado oposto do corpo, com esse movimento, criou se uma redoma de vento ao redor deles. Acredito que a redoma tinha uns dezenove metros de raio.
Roud aproveitou este momento que ele estava “distraído” e avançou, mas cortou apenas o ar com a espada, pois o Homem já tinha esquivado e estava do seu lado de trás. Neste momento eu pensei que Roud não escaparia, mas ele se moveu para frente, da mesma forma que o Homem, deixando para seu inimigo apenas rastros de energia, mas estes pareciam mais fracos.
O Homem abriu um sorriso e avançou para cima de Roud, a partir daí, a única coisa que se podia ver eram os rastros de energia deixado peles dois, mas era nítida a diferença de poder. Eles pareciam duas manchas de energia se chocando e desviando.
Eu tentei adentrar na redoma, mas assim que entrei em contato, onde eu encostei saiu um jato de vento e me jogou para trás. Reparei que ninguém, pareceu se importar, apenas eu que insistia em ser jogado para trás ao tocar o escudo de vento.
Estava ficando cada vez mais apreensivo, pois Roud parecia estar perdendo, só aí que os outros aparentam preocupação e começaram a tentar ajudar Roud.
Em um momento, Roud pareceu cometer algum erro e com alguns movimentos de mãos o Homem o derrubou, já com uma das mãos apontadas para o seu pescoço. Do seu braço para a mão saiam eficaz, como raios pequenos, mas em vez de terminar o combate arrebatando a vida de Roud, o Homem se aproximou de seu ouvido e depois se afastou. Nesse momento desceu um raio em cima do Homem e com o clarão ele sumiu.
O campo de vento também desapareceu, a única coisa que podia provar que tudo aquilo aconteceu foi a destruição em volta.
-Parece que Tirius, meu avô, era descendente direto do Deus Talos - Falou Roud quando nós aproximamos - Acho que agora eu sou um semideus.
Roud tentou me devolver a espada, mas eu não poderia ficar mais com ela, sabendo que ele era o seu dono por direito, e por isso eu lhe entreguei o cordão também.
A trajetória para a caravana foi um grande interrogatório. Roud falou que ainda não sabia como controlar essa esquiva que deixava rastros de energia e as vezes ele fazia sem querer, parando bem mais a frente de onde estava. Chegou até a ser engraçado, teve uma hora que ele estava conversando comigo e do nada ativou o poder sem querer, indo parar em uma poça de lama um pouco a frente. Todos rimos muito, inclusive ele .
Roud foi até o tal Matias Blackstrand, eles ficaram conversando ainda afastados de modo que não escutei nada, enquanto isso eu parei para olhar ao redor. O local tinha um tom acolhedor, principalmente para os amantes da natureza, e mesmo eu não sendo um achei muito gostoso de estar lá. Tinha uma floresta do lado oposto do lago, está parte a água estava represada formando um bom lugar para se lavar. Simplesmente era formidável.
Mas nesse momento começou a me invadir um desejo de me tornar um aprendiz de Guerreiro, uma coisa muito estranha, mas eu sempre fui muito instintivo e imprevisível, assim sendo, a primeira coisa que eu fiz com a aproximação de Matias Blackstrand, foi perguntar se na caravana havia algum Guerreiro nela.
-Calma, primeiro vamos ao acordo. - Ele respondeu de forma calma e cordial - A nossa caravana aceita vocês, daremos comida e água, mas em troca vocês nos darão proteção, isso claro se vocês concordarem.
Nem cheguei a olhar para os outros para saber que eles também tinham concordado.
-Já que vocês aceitaram, está havendo apenas três carroças com lugares disponíveis, uma é a do Erwim, que tem apenas um lugar disponível, e mais duas carroças que tem dois lugares disponíveis, cada. Uma é a minha própria, e a outra meu caro Paladino, é a carroça dos amigos Bk’s, que para sua sorte são dois Guerreiros.
Não precisei de mais nada, fui direto na carroça que Matias mostrou. Adentrei pedindo licença e perguntei quem eram os irmãos Bk’s.
-Eu sou Bêridak! - Falou um homem forte, e pele escura, seus cabelos eram vermelhos como fogo e o mais “estranho” eram seus olhos de um tom leitoso, totalmente brancos, com essas informações eu pude dizer com plena certeza que ele era um Fira. - e este é meu amigo Bêrik, - Bêridak apontou para um anão, em que só se podia ver seus músculos. Os dois estavam de armadura, uma boa armadura, diria que era um Armadura Pesada, uma das melhores. - Se deseja um combate, fale logo, pois com todo respeito, não temos o dia todo.
-Eu gostaria que um de vocês pudesse ser meu mestre, para me ensinar a ser um Guerreiro. - Eu falei isso, enquanto desembainhava minha espada e me ajoelhava.
Como eu estava de cabeça baixa e eles estavam em silêncio, comecei a ficar curioso, e acabei dando uma leve espiada, e me surpreende com a sena. Os dois estavam jogando Jokenpo.
O que perdeu foi Bêridak. Ele fez um cara de desapontamento, sacou a arma e veio em minha direção.
Não deu tempo para pensar, do jeito que eu estava, só tombei para a esquerda evitando o corte que teria sido fatal. Ao terminar de rolar, já fui ajeitando o escudo e me preparando para o ataque. Mas ele era rápido demais, tinha muita agilidade, quando eu fui para cima ele se defendeu do ataque e aproveitando a brecha que surgiu do meu lado direito, ele enfiou sua espada, que entrou com tudo, causando um corte grande na lateral do meu corpo.
Depois disso as coisas só pioraram, eu vi que ele não pretendia me matar, pois se quisesse, aquela abertura teria sido fatal. Eu dei um rugido e cambaleei para trás, achando que com isso ele me daria uma folga, mas assim que eu me distrai ele já estava em cima. Ele me deu um encontrão, que me jogou fora da carroça.
Comigo no chão ele fez um movimento com as mãos, como quem diz, levanta, vamos continuar.
-Se aproximem pessoas, um gatinho apanhando de um Fira - está voz gritava com enorme alegria, até parece que isto era um show, apesar que eu acho que isto para ele era um espetáculo. Quando olhei para o lado que a voz vinha, recebi mais uma provocação. - Estava mexendo nas coisas de nosso amigo Bêridak?
-Pare com isso Finn, estou apenas testando-o para saber se ele merece ser um Guerreiro.
-Melhor ainda! VENHAM TODOS VER A SURRA DO GATINHO! - Ele pegou uma flauta transversal e começou a tocar uma música animada.
-Anda rapaz, você não vai ficar o dia todo no chão, vai?
Eu levantei, e ele veio novamente para cima de mim, e desferiu um golpe que iria acertar minha cabeça mas eu consegui esquivar, de forma que a espada ainda acertou o ombro, com muita velocidade ele retirou a espada e deu um novo golpe, este foi o pior, abriu um corte entre meu peitoral. A dor foi insuportável e meus movimentos estavam mais lentos. Daquele momento em diante eu só pude desviar, cada vez que eu tentava contra atacar ele o bloqueava, e em seguida me atacava em alguma abertura na minha armadura. “Realmente preciso trocá-la”.
Já havia perdido muito sangue e o mundo estava girando, ele não se esforçava em desviar ou em atacar. Então ele parou.
-Não tem como eu ensinar você a ser um Guerreiro, pois para isso é necessário o espírito de um, mas poderei ensinar táticas dos Guerreiros.
Eu tentando manter meu respeito, fui me ajoelhar diante de meu mestre, mas conforme me abaixei, a visão foi ficando cada vez mais turva. Até o ponto que desmaiei.
Eu fiquei sabendo pela Keyleth que depois de desmaiar o Bardo que estava me provocando, tocou uma música mágica para ajudar na minha recuperação, e que o Dumbledore curou todas as feridas abertas, mas como tinha sofrido cortes profundos e uma grande perda de sangue não acordei no mesmo dia.
Foi só eu ficar desacordado que eu perdi um espetáculo do Erwim, enquanto eu colocava tudo no papel, o Kirito estava me atualizando sobre o um ataque que aconteceu há caravana ontem depois que ela partiu.
Ele disse que algum tempo depois da partida da caravana uns trinta homens armaram uma emboscada, ele disse que seu sangue ferveu e ele estava pronto para a briga mas, antes de chegar lá todos estavam mortos. O tal do Erwim tinha invocado uma espécie de “Escaravelho Gigante com forma Humana”, “Ele tinha muitos braços, acho que mais de cem”, observava ele a cada cinco minutos. “A coisa gigante desceu uma mão para cada bandido, e ‘Blam, Puf, Esblaf’ não havia um em pé”.
-Fora que você iria morrer de rir ao ver a Keyleth e o Finn saqueando os corpos dos ladrões, ela pegou um monte de adagas.
Pelo jeito a coisa foi realmente impressionante. Fico imaginando a sena, primeiro a coisa gigante e depois a nanica da Keyleth correndo com um monte de adagas. Mas por hora vou treinar, com meu novo mestre. Será que eu seria um bom Feiticeiro? Poderia conversar com Keyleth, ou até mesmo um Runico, mas por hora vou me concentrar no Guerreiro.
Ass: Adamus Asliano
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